coração destemido

É um coração temeroso,
O que constrói um muro.

E um coração destemido,
O que é capaz de viver sem ele.

E encontrar alguém
Com um coração destemido

Desarma-nos,
As armas são depostas
Na presença de um coração destemido.
Um coração sem muro!

E é uma decisão muito solitária
Ter um coração destemido.

É uma verdadeira liberdade.

Do curta: The Invisible Frame com Tilda Swinton

a lua e o mar

Eu acho difícil escrever sobre a experiência de quando a lua ou o mar se conectam com a gente. Principalmente quando eles chegam a representar nossas emoções e sentimentos. Mas eu vou tentar. Já peço desculpas pela minha pequena ambição narrativa.

A primeira vez que reparei em tal conexão foi na lua cheia de maio deste ano em Florianópolis. Eu me sentia aflito, incerto mas sem motivos. Era meu segundo mês na ilha, tudo estava seguindo bem na vida. Estava inquieto e não sabia o porquê. Era domingo e resolvi caminhar pela Barra da Lagoa e rever a Prainha. E, pela tarde, sentado numa pedra beira-mar, passei a reparar nas ondas. O mar seguia agitado, violento. Insistia em não entregar a rede aos pescadores que a puxavam na direção da praia. Era início da época de pesca da tainha, quando o surf passa a ser proibido nas praias da ilha. No momento em que uma onda estourou logo abaixo de mim e vez aquele barulhão, me vi representado. E tudo pareceu fazer sentido. Como num estalo, não importava mais o quanto meu estado emocional estava atrapalhado: assim como o mar fica agitado e depois se acalma, eu entendi que o mesmo acontecia comigo. E então parei de me importar, deixei fluir. Permiti que esse sentimento, que não sei de onde veio, passasse pelo meu corpo. Hoje, quando eles retornam sem motivos, imagino um mar agitado dentro de mim.

O contrário também aconteceu. Quero dizer, quando o mar se mostrou tão calmo quanto eu estava. Foi o dia que ele me inspirou a escrever esse texto. Num domingo de clima incerto e acompanhado de muita serenidade interna, logo depois de um aprendizado importante no dia anterior devido a um susto que passei, resolvi ir à praia pela manhã. Mucugê me surpreendeu, se mostrando com uma maré baixa e tranquila, formando enormes piscinas naturais e permitindo caminhos longos até os recifes. É que até então eu só conhecia o mar agitado da tarde em Arraial D’. Fui surpreendido em dobro, pelas tranquilidades: minha e do mar. Mais uma vez ele dialogava com minhas emoções e sentimentos.

Já a lua interage à noite. E assim, numa delas, depois de um divertido e longo dia com os amigos em Caraíva, meu corpo pediu descanso. Numa atitude irônica de quem normalmente é o inimigo do fim, me despedi dos amigos e segui a pé na direção da pousada. Seriam 30 minutos de caminhada quase que totalmente sem iluminação. O clima era de chuva mas parti num momento que ela tinha dado trégua. Foi uma pequena trégua. No meio do caminho ela apareceu, mas mantive meu destino, dessa vez, acompanhado. A lua cheia, mesmo tampada pelas nuvens da chuva, achou um espaço e se mostrou pra mim. Aí a gente era meio que uma gangue pelas ruas de Xandó, uma aldeia na região dos pataxós: eu, a chuva, a lua e um caminho iluminado até meu destino. Ao chegar na pousada, como um bom filho, segui até a praia e agradeci a lua por me acompanhar. E então ela se escondeu.

E assim a vida vai mostrando uma maneira nova de a gente se entender como ser humano. De, na prática, como se fosse magia, entender que somos todos um e que tudo se conecta. A natureza cura. Ela se comunica. Mas a gente precisa se escutar antes.

a mala manca

Esse foi o primeiro texto que escrevi como exercício do curso de Narrativas Afetivas de Viagem, do Daniel Nunes. O curso faz parte de uma das metas que tenho nessa jornada de nômade digital: adquirir novos conhecimentos.

Escolher um objeto ou foto de viagem que rende quatro mil toques de texto ainda é uma tarefa difícil para mim. Porém a mala com capacidade de 23kg que me acompanha nessa jornada de nômade digital pelo Brasil foi a primeira coisa que veio à mente. É que ela tem quase 10 anos e está manca há 3 pelo menos. Apesar de usá-la ainda hoje em sua total capacidade, ela continua dando conta do recado. Foi comprada junto com uma outra, da mesma cor e tamanho, e ambas já rodaram um bocado comigo. Algumas aventuras que ela já me acompanhou são realmente dignas de nota.

Em BH, com a personagem principal dessa história, momentos antes de pegar a estrada

Na viagem inaugural, ela carregou minhas roupas novas de inverno, compradas exclusivamente para esse momento. A minha primeira jaqueta impermeável, waterproof, como aprendi na época, foi dentro. Em Reykjavik, na Islândia, ela escorregou pela calçada congelada enquanto mantinha seguros o DVD Heima, do Sigur Rós, o CD de luxo Medúlla, da Björk e um novo lindo suéter azul de lã islandesa que raramente uso no Brasil mas que, quando uso, faz sucesso.

Ela dá mais conta do frio do que eu, me atrevo a dizer. Uma vez em Toronto, ela rodou comigo por uma temperatura de -6C e a sensação térmica de -15C. Foi quando cheguei para ficar um mês em Scarborough, leste da região central, uma parte denominada brown neighborhood, algo como bairro marrom, para designar o tom de cor da pele dos imigrantes que ali vivem. Ela ainda passou por cima de alguns flocos de neve. Danada!

Amsterdam tem aquelas construções de fachadas super estreitas, lindas, mas que escondem escadas extremamente íngremes, difíceis de escalar. Quero dizer, subir. Nesse meu caso, quase 90 graus. Subir com essa mala, totalmente cheia, por tal escada, foi desafiador: em tempo de todo mundo rolar abaixo. A solução para descer? As correntes que prendiam as bikes do hostel: pendurada, ela desceu pouco a pouco pelas minhas mãos enquanto outro ia direcionando por baixo. O risco de tombo foi bem menor. O cara da recepção era só risada e comentou: vou sugerir essa ideia para mais hóspedes.

E em altas temperaturas? Eu ainda não sabia como ela se comportaria. Fiz o pior teste e, mais uma vez, ela foi mais resistente do que eu. Enfrentou comigo os 43C pelas ruas de Berlim, no verão de 2019, sem se deixar abater pelas calçadas escaldantes. Até então rodinhas intactas. Num show de resistência, lá estava ela, carregando a bagagem de dois hedonistas de BH, ávidos por badalação e vida noturna. Calçados, regatas, as melhores roupas e acessórios para compor o visual da noite estavam devidamente protegidos enquanto seus donos quase morriam de calor e desidratação. Foi nessa época que ela sofreu sua primeira fratura, uma das rodinhas dianteiras precisou ser levada para manutenção quando retornou ao Brasil.

Hoje, meio manca, ela carrega todo o meu guarda roupa de nômade digital. Segue devidamente identificada como FRÁGIL com um adesivo vermelho e bem grande fixada em seus dois lados. Ela foi capaz de trazer para o litoral sul da Bahia uma cachaça de Jabuticaba fabricada artesanalmente por uma família da zona rural de Praia Grande, em Santa Catarina. Ou seja, segue resistente, boa companheira de aventuras, essa mala manca!

a caderneta de notas do primeiro semestre

Eu comecei essa viagem me propondo escrever pelo menos uma vez por semana nesse blog. Mas a dinâmica da vida na estrada – trabalhando 8h por dia, praticando pilates segunda, quarta e sexta enquanto moro a cada uma ou quatro semanas em um lugar diferente, ainda era desconhecida pra mim. Entendi ainda que eu nem sempre tenho o que expressar. Preciso acumular aventuras, aprendizados e sentimentos pra criar um novo texto. E hoje eu falo um pouco de tudo isso, recapitulando algumas coisas que aprendi até o momento e como estou começando o segundo semestre pelo nordeste do Brasil. Vou usar o conhecido esquema de disciplinas e notas que a gente lembra da época de colégio. De cara então a gente repara que na matéria Meu Primeiro Blog eu tomei bomba. Nota 0.

Na matéria Ficar e Fazer Rolês Sozinho eu passei com boa nota. Fui mal nas primeiras provas mas tomei uma advertência e consegui recuperar. Hoje parece que foi há muito tempo atrás que eu ainda não sabia como fazer os exercícios dessa matéria. Foi logo ali, em Floripa, que eu ainda sentia dificuldade. Hoje saí sem rumo em Arraial DAjuda: descolei um lugar na praia, curti um sol depois de um mergulho, olhei pro mar e me veio à mente “puts, como é bom estar aqui sozinho”. Nota B.

Também mandei bem na Desacelera, gente. Mas para conseguir isso foi muito importante configurar o celular pra limitar o tempo nos aplicativos de rede social e desinstalar alguns outros além de tentar mudar a forma como me relaciono com ele. A nossa percepção de tempo está muito vinculada hoje ao instante dos acontecimentos do planeta e talvez até fora dele. Se algum país avançado na ciência resolver publicar que fez contato com uma civilização no sistema solar ou além, a gente fica sabendo na hora. Parece-me que tudo está se tornando instantâneo. Então para desacelerar e reaprender a curtir o momento e estar presente contigo mesmo ou com quem te acompanha, esquecer do celular é fundamental. As vidas on-line e off-line andam em velocidades muito diferentes, não vale a pena a tentativa de sincronizar as duas. Talvez um nome mais apropriado pra essa disciplina seria Saúde Mental I. Nota A.

Cozinhando em Casa eu não mandei bem. Passei na média, quase fiquei de recuperação. Eu meio que fiquei de dependência na verdade. Tô repetindo essa matéria agora, no segundo semestre. Sei que eu poderia ter feito melhor, mas passei por alguns apartamentos com cozinha pouco equipada. Em um deles não tinha escorredor de macarrão, a comida mais fácil de se preparar, vejam só! Hoje estou num apartamento com ilha na cozinha, bem no Centro de Arraial. É a casa de um cheff, com excelentes panelas, agora vai. Nota D menos.

Em Primeiros Socorros eu tive um teste mega difícil. Adoeci assim que cheguei em Torres, no RS. Cheguei no início no inverno e debaixo de uma semana de muita chuva prevista. Baita frio! Sem conhecer ninguém, eu estava de ressaca, tive uma intoxicação alimentar e ainda testei positivo para COVID. Uma parte de mim quis agachar no canto e pedir colo da mãe e do pai mas eu não deixei, mandei levantar de lá e ir se cuidar. Não tinha jeito, né? Acho que com essa coragem de enfrentar tal teste acabei ganhando de presente um final de semana ensolarado, sem uma nuvem no céu. Conheci a cidade desse jeito, sol a pino e céu azul. Qual o superlativo de azul? Andei de bike, caminhei muito – tudo sem sentir cheiro nem sabor. Com aquele nariz de menino pequeno, escorrendo demais, fechei Torres com chave de ouro: lua cheia bem acima do mar. Nota A.

Também passei com nota máxima a disciplina de Aventuras I. Claro que a tutoria sempre ajuda e nesse caso não foi diferente, tive uma excelente tutora pra essa matéria em Praia Grande. Mas esse assunto merece um texto exclusivo que já está no forno. Quem me acompanha no Instagram viu muita coisa que eu não imaginava encontrar no Brasil. Nota A.

Tirei nota C em Economia Doméstica e Planejamento porque não me atentei a alguns detalhes nos apartamentos pelos quais passei. Em Penha eu enfrentei duas noites numa hospedagem bem improvisada e com um mofo terrível no quarto e no colchão por causa do preço atrativo e dos reviews totalmente equivocados no AirBnb. Algumas mudanças quase se tornaram problemão por eu não reparar nas datas ou horas de checkin/checkout, como na Armação em Floripa. Por causa da pressa, reservei uma estadia que não me atenderia bem para um mês no Campeche, também em Floripa – demorei na comunicação com o host para cancelar a reserva e acabei dispondo de uma grana alta (felizmente pude fazer o agrado de alguém com a reserva que ficou presa). A nota não ficou pior pois garanti o conforto, o bom gosto e lugares bem localizados.

Fecho então a caderneta de notas do primeiro semestre da vida de nômade digital bem satisfeito. Conheci pessoas maravilhosas, presenciei visuais exuberantes, conheci lugares que há muito tempo eu queria estar e o melhor de tudo: um homem transformado, muito mais conhecedor de si mesmo.

Passeio de helicóptero nas Cataratas do Iguaçú

o manezinho da ilha

Ei gente, como vão? Estive longe desse blog por um tempo, dois meses, tentando ser preciso. É que passei os meses de abril e maio em Florianópolis, a ilha da magia. Hoje foi meu último dia de manezinho da ilha, como eles chamam os homens de lá. Mais um período nessa jornada que só tenho a agradecer, vem comigo que eu explico o porquê.

Entardecer na Lagoa da Conceição

Floripa me encantou no primeiro momento. Comecei pelo sul da ilha, num lugar chamado Armação. Cheguei no domingo à tarde e fui recebido por um belo sol. Minha reserva ali estava a 50 metros da praia. Apenas larguei as coisas pelo apartamento, vesti a sunga e corri para a praia. E que praia! Bastante frequentada por surfistas, de mar mais agitado, areia grossa, a praia da Armação reserva um belo nascer do sol. Além disso, tem uma faixa bem grande de pedras que faz a divisa com a Praia do Matadeiro, de onde é possível aproveitar momentos à noite para ver as estrelas. E é óbvio que eu fiz isso. Eu morei a alguns metros da Lagoa do Peri, do lado de onde fica o Projeto Tamar. Que delícia de passeio – meio do mato total. Ainda no sul da ilha, fiz a trilha da Lagoinha do Leste e aproveitei um dia na Praia do Pântano do Sul onde conheci a senhora Zenaide, proprietária do Bar e Restaurante Pedacinho do Céu e personagem importante na história dessa parte da ilha.

Quando maio chegou, eu me mudei para Barra da Lagoa, no centro da ilha. Saí de Armação no domingo cedo, debaixo de chuva. Para minha alegria, enquanto percorria os 18km do trajeto, a chuva foi estiando em menos de uma hora depois de chegar na nova morada, o sol deu as caras novamente. Mais um domingo iniciado cheio de felicidade nesse cantinho da ilha. Achei o mar mais calmo nessa praia apesar de ainda ver alguns surfistas, bem menos. A Barra da Lagoa é mais badalada que a Armação porém mantém o mesmo ambiente familiar e simples. Depois de aproveitar o sol resolvi dar uma volta pela orla e fui até os faróis da entrada do canal da Barra quando vi uma ponte de pedestres e um fluxo constante de gente indo e vindo. Resolvi seguir o fluxo e ver onde dava, quando descobri a Prainha da Barra e a trilha para as piscinas naturais. Que visual, minha gente! Nesse momento eu já estava enfeitiçado, enxergava bruxas voando ao meu redor e duendes prendendo minhas mãos apoiadas na pedra enquanto contemplava o mar e o pôr-do-sol. A possibilidade de fazer passeios similares nessa região da ilha me encantou demais. Teve a trilha do Gravatá, a própria orla da Barra que dá em Moçambique, o Projeto Tamar, o passeio de barco no canal.

Quando o ciclone chegou do Uruguay no final de maio, vivi noites bem frias com o vento uivando e fazendo a estrutura de madeira do apartamento vibrar, cenário típico de filmes de terror. Eu me diverti e valeu cada momento.

Esse tempo na ilha da magia me agraciou com pessoas maravilhosas, com cenários de contemplação de tirar o fôlego e uma aproximação maior comigo mesmo, minha essência. Foram vários momentos em que a natureza representava exatamente o que se passava dentro de mim. Essa conexão é inexplicável.

Prainha da Barra da Lagoa

E parece que Floripa tem infinitas coisas para fazer! Fiz esse comentário com uma amiga mineira que vive aqui. Ela concordou. São inúmeras trilhas, muitas praias, tem cachoeira, lagos, mirantes, sandboard, surf, passeio de barco a ilhas menores, pedalinho, quadras de vôlei de areia, pesca. Tudo isso além do que qualquer cidade oferece, como bares, restaurantes, baladas, festas, museus e por aí vai. Até um rolê de ônibus vai ser prazeroso devido à todo o visual natural que a ilha tem.

Realmente tive dificuldade de sentar e escrever alguma coisa pois cada momento nesse paraíso me pareceu valioso. Na estrada agora para Porto Alegre senti que precisava compartilhar o mínimo de tanta coisa legal que vivi, peguei o note e cá estamos. Floripa, eu recomendo DEMAIS! Voltarei em breve, tem muita coisa ainda a explorar.

Ilha de Santa Cataria, Florianópolis, infinitas coisas para fazer

Sigo em frente vivendo um novo sentimento, uma mistura de pesar em deixar pra trás tanta coisa legal e a excitação pelo novo e desconhecido que vem pela frente.

a ilha do mel

Quando eu resolvi começar a jornada como nômade digital uma grande expectativa era entrar em contato com a natureza o mais rápido possível. Adoro cidade grande e tudo que ela proporciona mas nada se compara a leveza de estar cercado dos sons da natureza e sentir o cheiro do verde.

Por isso a Ilha Do Mel era tão esperada, o primeiro destino natureza. E eu preciso escrever esse post enquanto a memória é recente e o sentimento de leveza continua.

A ilha tem duas vilas, Nova Brasília e Encantadas.

Mapa das rotas e da ilha em frente ao terminal de barcos em Pontal Do Sul

Nova Brasília é menor, mais cara e mais indicada para casais. Um prato de comida bem servido e uma cerveja saíram por R$ 70. Pelos cardápios que eu olhei, um hambúrguer não sairia por menos de R$ 40. Drinks? Pelo menos R$ 35. Agito? Apenas para casais, mesmo. Porém foram os passeios mais bonitos que eu fiz na ilha. O Farol fica na parte mais alta desse lado e é possível ter uma visão 360, foi a primeira parada e lugar de contemplação. Ainda tem a Praia de Fora, Praia Grande, Praia do Farol, Praia do Istmo, Praia do Belo e uma caminhada de 8km (ida e volta) pela praia até chegar à Fortaleza. Esse último trecho é bom fazer de bike. Fiquei na Pousadinha, as pessoas foram bastante simpáticas e profissionais. Recomendo.

Encantadas tem agito! Forró, reggae e rock estavam na agenda do sábado. Para chegar lá, eu peguei o barco por R$ 20 de Nova Brasília para Encantadas às 16h – as saídas eram de hora em hora. Com uma orla bem diferente, rapidinho achei o Hostel Encantadas, onde me hospedei. É nessa parte da ilha que tem a Gruta Encantadas, uma formação geológica impressionante. É a atração mais rápida, saindo de frente o trapiche na orla, em 10 minutos se chega na Praia da Bóia, a gruta fica à direita.

Formação geológica da Gruta Encantadas
A foto não faz jus à beleza real

A caminhada após visitar a gruta foi pela Praia do Saquinho. Parei para mais um momento de contemplação na Ponta da Nhã Pina. Depois me aventurei pelo Morro do Sabão e no alto fui presenteado com uma vista do alto com praias dos dois lados. Terminei com uns mergulhos na Praia do Miguel, normalmente vazia.

Comer e se divertir nesse lado da ilha é mais em conta. Lanche completo por R$ 30, almoço no esquema buffet com bebida por R$ 55. No domingo chegam barcos do continente com grupo de pessoas que vão passar o dia na ilha, então se prepare.

Curiosidade. Dizem que a cataia é a pinga do Paraná. E nessa viagem me foi dito que a origem dessa bebida é a Ilha Do Mel. Então uma vez lá, não deixe de experimentar a cataia no Beth Mar Lanches, onde rola o forró na ilha. É a própria Beth que prepara e te serve a cataia. Daora!

Como chegar. Vá até Pontal do Sul, no Terminal de Embarque para Ilha do Mel. Desse terminal saem barcos a cada meia hora ou hora cheia. É possível comprar passagem de ida e volta por R$ 45. É bom se informar antes quanto aos horários. O último barco sai sempre às 18h, Nova Brasília ou Encantadas. De ônibus, saindo de Curitiba, compre antecipadamente a passagem específica até o Terminal de Embarque. É uma linha usualmente com muitas paradas e por isso sempre lota, inclusive às sextas. As pessoas também usam bastante o BlaBlaCar, uma opção para o caso de perder uma vaga no ônibus e estiver com o horário apertado para pegar o barco. O trajeto entre Curitiba e Pontal do Sul é de 2h aproximadamente. A estrada corta a Serra Do Mar e tem uns trechos muito bonitos.

Contemplação. Talvez o tempo fechado e um pouco chuvoso tenha sido a melhor forma de aproveitar a ilha considerando também o meu momento. Sem o sol forte na cabeça eu pude fazer trilhas, caminhar pelas praias sem aquele desgaste causado pelo intenso calor. E ainda assim mergulhar: a água estava morna. Os lugares que eu escolhi para visitar e fazer as minhas paradas proporcionaram momentos de profundo relaxamento e contemplação. Voltei para a casa/base cheio de energia e pronto para encarar a semana de uma maneira muito mais tranquila e pró-ativa.

Curitiba

Estou em Curitiba. Cheguei domingo. É a minha quarta visita à cidade. A cidade não é a mesma, eu não sou o mesmo. São dezesseis anos desde a minha primeira visita.


A chegada. Peguei dois dias de Carnaval. Rua cheia, festas, bagunça. Ufa! Mas sem bloquinho, ah! Pelo menos no primeiro rolê já achei um drink com cachaça de jambu. Foi ótimo interagir com as pessoas, escutá-las dizendo nunca vi Curitiba assim no Carnaval, sempre foi uma cidade fantasma nessa época, tomara que fique assim ano que vem. Torço pelo mesmo! E não tenho o que reclamar, fui muito bem recebido.


Home office. Estou hospedado na casa de um amigo. Tem uma sacada aconchegante, onde faço as minhas refeições. O apartamento não fica na região central mas é um bairro bastante organizado e com todo tipo de serviço. Amanhece e anoitece com muitos pássaros cantando. De qualquer uma das janelas é possível ver pelo menos uma araucária. Já rodei a pé pela região fazendo reconhecimento de campo. Tem um IMAX a alguns passos daqui, dentro de um shopping gigante, e uma praça logo em frente com espaço para atividades físicas.

Meu espaço está bem organizado. A casa já tinha uma cadeira apropriada para o home office, isso ajudou. Mas o quarto vazio precisava de alguma coisa para as roupas e também como apoio para alguns acessórios. Entrei no OLX da cidade e achei uma arara de madeira, cru. Três mensagens trocadas e em três horas ela estava no meu quarto.

Para manter o pilates on line com a professora, que está em Belo Horizonte, o prédio conta com um salão de festas na cobertura. É por lá mesmo que estou fazendo as minhas aulas.


A cidade. A foto que ilustra esse post é de 2016, a última vez que estive por aqui. Foi feita na frente do Museu Oscar Niemayer conhecido como O Olho por causa da arquitetura. Durante esse mês acontecem a exposição dOs Gêmeos e a mostra Da Vinci Experience.

Curitiba é a capital “mais alta” do Brasil, está a 934 metros de altitude em relação ao mar, e por isso o inverno na cidade costuma ser chato, daqueles que exige aquecedor no banheiro quando você vai sentar na privada. Os pontos turísticos são interligados por uma linha de ônibus urbano específica para isso. Uma ideia excelente que deveria existir em outras cidades do país. Os pontos turísticos são realmente lindos e valem a pena uma nova visita.


A região. Uma vez em Curitiba, existem vários passeios que podem ser feitos na região.

A 40 minutos de carro, na direção de Ponta Grossa, tem os parques Nacional dos Campos Gerais e Vila Velha. Excelentes oportunidades para contato com a natureza e trilhas – o que eu adoro fazer e pretendo durante essa jornada nômade – não necessariamente nesses parques.

A partir da Estação Ferroviária de Curitiba, é possível pegar o trem até a cidade de Morretes. O trem passa pela Ferrovia Curitiba-Paranaguá por dentro da Serra Do Mar e oferece um visual incrível, de tirar o fôlego. O valor total do passeio, incluindo ida e volta, traslado até a estação, almoço, etc fica entre R$ 200 e R$ 800. Mais detalhes nessa página dos Melhores Destinos.

Em até 2h 30m de carro ou ônibus, se chega à cidade de Pontal do Sul ou em 1h 30m na cidade de Paranaguá, de onde saem os barcos até a famosa Ilha do Mel com os seus vilarejos Encantadas e Brasília. A ilha oferece várias praias lindas e trilhas e por lá só à pé ou de bike. Esse é um dos destinos que farei enquanto estiver por aqui.


Enfim. A jornada está só começando e a mesma disciplina de quando eu tinha um endereço fixo se mantém, isso é fundamental. Com o plus de que agora estou numa região inexplorada e cheia de oportunidades para o final de semana. Sigo mantendo a atenção nos gastos, por que em viagem a gente empolga fácil. Vou compartilhando um pouco desses passeios no Instagram, cola lá.

antes de qualquer coisa, finanças

Money, money, money. Ah, esse deus do sistema moderno, o capitalismo. Algo extremamente importante na vida adulta cujo devido uso e planejamento não fazem parte da cultura do brasileiro.

O plano em me tornar nômade digital só foi possível e decidido muito rápido pois eu tenho um planejamento financeiro muito bem estabelecido. Não é de muito tempo, não sou o melhor exemplo. Mas é preciso falar disso, pois foi tudo bem pensado. Não larguei tudo e saí por aí.

Com esse texto espero compartilhar um conhecimento que possa te ajudar. Alguns dos meus sonhos, como visitar a Islândia, foram realizados nos momentos que eu tinha um mínimo de controle e consciência para onde o meu dinheiro ia. Perdi isso durante um tempo e minhas contas voltaram a não fechar mais.

Em 2021, namorando uma pessoa super consciente no uso do dinheiro, voltei a me questionar sobre a forma como eu usava o meu. O post do Matoso, um amigo do trabalho, no LinkedIn me salvou. E o que vem a seguir foi o que eu fiz após a leitura. Se quiser ler também, siga esse link.

Além de reforçar no texto que devemos criar a consciência de onde vai cada centavo do nosso dinheiro e também reforçar que precisamos categorizar os gastos em tipos como casa, educação, diversão, tv, uber, etc, ele indica um aplicativo que pode ajudar nessa tarefa, o Guia Bolso.

Segui a dica e de cara não me adaptei nem ao aplicativo e nem ao site – mesmo ativando o período gratuito de 30 dias. Então fui procurar aplicativos similares. Achei Organizze Budget Planner, Olívia e Mobills. Passei uma semana avaliando as opções, lançando os meus gastos em todos eles. Para ser objetivo e simplificar o meu texto, vou pular a parte de avaliação de cada aplicativo e vou direto ao escolhido. Você pode conferir a minha avaliação para cada aplicativo no final do post.

Uma vez decidido o Mobills1, eu ativei o versão premium gratuita por 7 dias. Escolhi esse aplicativo pois representou exatamente a forma como eu já havia controlado o meu dinheiro, lá trás, quando realizei outros sonhos na vida, lembra? Deixei os outros de lado e foquei nesse. O Mobills é um aplicativo mobile e web. Além disso, a empresa tem um aplicativo de educação financeira, um canal no YouTube com vídeos educativos e que explicam como usar o app e um blog com várias explicações sobre uso de cartão de crédito, juros e principalmente, planejamento financeiro. Passei então os dias seguintes à noite aprendendo a mexer no aplicativo. Lancei gastos retroativos, renomeei as categorias para a minha realidade, testei a versão web, assisti alguns vídeos, acionei o suporte (achei bugs), li alguns posts do blog deles. Eu precisava de informação para usufruir o aplicativo da melhor forma. Se você pretende iniciar o controle, reserve esse tempo também, foi fundamental no meu processo.

À medida que os meses foram passando, tomei as rédeas da minha vida financeira e comecei a me sentir mais pleno. Ter esse controle e saber para onde vai o dinheiro gera uma sensação de leveza inacreditável. Considere o sentimentalismo de quem não fechava bem as contas do mês.

Seis meses depois – veja a data do post do Matoso; estou bastante controlado, totalmente consciente para onde vai cada centavo do meu dinheiro, continuo fazendo tudo que sempre fiz, já iniciei a minha reserva de segurança, consigo poupar e ainda pude decidir de uma hora para outra em me tornar um nômade digital. Há um ano atrás eu negaria qualquer aventura desse tipo. E olha, nessa vida contemporânea de dinheiro digital, aplicativos, cartões por aproximação, o dinheiro vai fácil fácil. Quando entro nos detalhes do meu gasto básico hoje, que me fornece o mínimo para viver numa capital, a lista é longa, de assustar! Meu recado afirmando isso é: faça o mesmo, anote tudo que você gasta e bote um nome em todos os tipos de gastos que tem. Não precisa de app, tem muita planilha de graça por aí.

Os meus gastos foram divididos em Básico, Diversão, Educação, Reserva de Longo Prazo e de Curto Prazo e Presentes & Doações. Usei o método dos potes como referência depois de passar por duas formas diferentes de categorias. Essa foi a que eu me adaptei. As categorias do meu aplicativo tem os emojis para que o uso seja mais divertido, fácil e rápido de identificar.

Básico, aqui normalmente vai 55% do meu salário.

Básico / Transportes 🚕
Básico / Supermercado 🛒
Básico / Casa 🏡
Básico / Cuidados pessoais ⚕️
Básico / Comunicação 🌐
Básico / Streaming 📺 & Cloud ☁️
Básico / Impostos & Parcelas 🏦

Diversão, revisado para 15% do salário no período nômade

Diversão / Noite 🍸 & Turismo
Diversão / Roupas 👨🏻‍🎤
Diversão / Música 🎧
Diversão / Games 🎮
Diversão / Restaurante 🍴& Delivery 📱
Diversão / Viagem ✈️

Nessas outras categorias vão os 30% restantes

Educação 📚
Reserva de Longo Prazo / Prudential 🎅🏿
Reserva de Curto Prazo 🎅🏿
Presentes 🎁 & Doações 🌈

Importante dizer que eu atualizo o aplicativo a cada dois ou três dias, reviso o orçamento mensal, acompanho se extrapolei o valor planejado para cada categoria e assim me policio e mantenho tudo organizado. Se você resolver criar o seu controle financeiro, estão aí algumas dicas. Boa sorte! 🙂


Como eu disse, as avaliações dos outros aplicativos, publicadas na App Store.

Organizze Budget Planner

O app me pareceu ser bom porém foi o que apresentou a pior curva de aprendizado. O onboarding dele é terrível pois quando você abre pela primeira vez, cadastra seu ganho mensal, seus gastos fixos, seu saldo, ele gera um relatório totalmente desconectado com a sua realidade do momento. Tive que sair excluindo tudo e refazendo e aí que entrou outro problema, não achei tão simples ajustá-lo a minha realidade. Outra coisa é que o aplicativo não oferece um tempo gratuito de teste da versão premium e como sabemos que esses tipos de aplicativos são do tipo ame ou odeie, eu não consegui ir além. Também não pude acessar a versão web pois cadastrei pelo telefone via AppleId e na web não existe essa possibilidade de login, ou seja, fiquei preso a acompanhar somente no telefone. Gostaria de ter testado todas as funcionalidades mas não me empolguei “pagar pra ver”. Fiquei com o Mobills.

Olivia

O app funciona muito bem quando conectado à sua conta. Tem uma usabilidade muito boa referente à visualização dos gastos. É muito fácil ajustar as categorias dando a possibilidade de gravar a preferência de categoria para o texto da transação. Porém, para uma conta que possui dois cartões, Master e Visa, todos os lançamentos de cada cartão foram duplicados, sendo registrados para cada cartão, o que deixou o meu saldo e as despesas por categoria totalmente errados. Atendeu às minhas necessidades, conectou à conta e atualizou as informações porém devido ao problema de duplicidade não gerou confiança e o abandonei. Nem tive tempo de usar o bate papo com a Olivia, que ao meu ver ainda tem muito a aprender como ler os dados antes de falar comigo sobre finanças 🤷🏻‍♂️. Ao tentar “conversar com o humano” não se engane, não será uma conversa mas sim um suporte desses que pode levar até 24h para responder ao seu oi, mesmo tendo resposta em 1h, me senti enganado como a usabilidade habilita essa “conversa com o humano”. Reportei o problema das duplicidades para a plataforma e foi respondido que já era conhecido porém sem previsão de correção. Abandonei e parti para o Organizze.

Guia Bolso

O app não mostrou a funcionalidade de montar um planejamento. Só funciona bem se estiver conectado com a sua conta porém, após conectado, ele apresenta problemas de atualização. Eu entendi que ele serve apenas para automatizar as suas anotações de gastos quando conectado às suas contas. Se você cadastrar um cartão não terá a possibilidade de montar o ciclo (quando a fatura fecha e quando ela vence). Não atendeu às minhas necessidades. Segui para testar o Olivia.


[update]

Duas sugestões de aplicativos para controle financeiro enviadas pelo LinkedIn: Spendee e Kinvo.


  1. O link para o Mobills foi gerado dentro da minha conta no aplicativo, ele é vinculado à minha conta e gera uma pontuação dentro da plataforma.

onde tudo começa

Difícil saber onde tudo começa. Talvez dizendo que esse não é o primeiro texto sobre o início da minha jornada como nômade digital. Comecei a escrever algumas. Esse precisa ser definitivamente o primeiro texto.

Conhecer lugares e culturas novas é algo que me inspira e transforma.

Depois de dois anos inteiros de pandemia, trabalhando e fazendo exercícios dentro de casa e estabelecendo uma rotina, eu resolvi usar o orçamento mensal do parcelamento de um apartamento que eu planejava comprar para viver um ano de nômade digital pelo Brasil. Por quê pagar o parcelamento de um apartamento e ficar preso em uma só cidade? Resolvi invocar minha rede de amigos e contatos para colocar o pé na estrada. Reconectar com os amigos era uma das coisas que eu venho tentando fazer desde 2021.

Tirei as minhas coisas do apartamento em que morava. As caixas com itens diversos foram para Juiz De Fora, na casa de meus pais. As malas de roupas foram para a casa da Vânia, em Belo Horizonte. E assim, num domingo, dia 13 de fevereiro de 2022, eu iniciei a jornada de nômade digital. Quer dizer, uma preparação. Ainda continuo em BH e a única mala acessível nesse momento é a que contém apenas as roupas que carregarei comigo. As outras já estão devidamente guardadas na parte alta dos armários, praticamente inacessíveis. A jornada começa efetivamente no dia 27, quando desembarco em Curitiba.

Sei que onde estou não é a realidade de muita gente nesse Brasil. E por vezes vou compartilhar narrativas que são de difícil acesso para muitos. Saiba que não haverá pretensão alguma além de compartilhar meus pensamentos, minhas aflições, minhas experiências. Enfim, minha escrita. Agradeço sempre pelo privilégio que tenho, o que aprendi com meu pai, o Sr. Edmo.

Uma breve apresentação. Trabalho com desenvolvimento de software, tenho quinze anos de experiência na área, sou formado há quatorze anos pela Federal de Juiz De Fora. Trabalho há onze na CI&T, uma empresa fantástica que fez o melhor que pode durante a pandemia para deixar seus colaboradores confortáveis, além de evoluir os contratos de trabalho para encarar a nova realidade mundial. Com a nova onda causada pela variante ômicron, a empresa manteve o home office em 2022.

Considerando minha disciplina, o meu planejamento financeiro e uma necessidade gigantesca de buscar minha liberdade emocional eu decidi por essa jornada. Conversei com amigos que já fazem isso, pesquisei artigos sobre o conteúdo, revisei meu orçamento e li Nômade Digital: um guia para você viver e trabalhar como e onde quiser. Tudo como forma de me preparar para o que vem por aí.

Se você chegou aqui, obrigado pela companhia. A escrita será uma de minhas companhias nessa jornada. Quem sabe você também. Pretendo escrever sobre como é o processo de ser um nômade digital, sobre os lugares por onde vou passar, sobre as pessoas que vou conhecer (talvez) e quais aprendizados de vida essa jornada vai me dar. Sem formato fechado, sem ideias pré definidas na cabeça, apenas a vontade de escrever e compartilhar – assim serão os posts desse blog, que pretendo atualizar uma vez por semana, talvez mais, talvez menos. Também pretendo atualizar mais frequentemente o meu Instagram com stories e fotos.

Aceito dicas, mensagens, comentários, interações. Sejam bem vindos à minha jornada, remota para vocês porém totalmente conectada no agora da minha cabeça. Uma alma nômade nesse mundo hiperconectado.